RECIDIVA DA MÁ OCLUSÃO DEPOIS DE TER FEITO CIRURGIA ORTOGNÁTICA ,PODE???


Infelizmente sim!

Existe uma patologia denominada de Reabsorção Condilar da articulação temporomandibular.

Côndilo da atm sem reabsoção

Ela ocorre em pacientes geralmente do gênero femininos  Cl II (a maxila é mais protruída)

que anteriormente já possuíam DisfunçãoTemporomandibular (DTM),previamente ao tratamento orto-cirúrgico e que foram submetidos a cirurgia ortognática combinadas com grandes avanços mandibulares maiores que 5 mm.

Nesses casos é imprescindível que a DTM  seja tratada antes do Tratamento orto-cirurgíco.

A reabsorção condilar progressiva (RCP) é definida como uma mudança na morfologia do côndilo, com perda óssea e diminuição da altura facial posterior.

 

O desarranjo interno,principalmente pelo deslocamento do disco da Atm,é considerada a patologia mais relacionada com a Reabsorção do Côndilo .

Podemos ainda ressaltar como etiologia dessa patologia entre outros ,a Parafuncão como o Bruxismo que atua perpetuando as DTMs ,macrotraumas na Atm causados durante a cirurgia ortognática,instabilidade oclusal pós operatória (devido a má oclusão Cl II do paciente ,o côndilo, já pode apresentar instabilidade quanto ao se posicionamento. Por outro lado, a terapia oclusal também pode ocasionar mudanças condilares, principalmente na Ortodontia pré-cirúrgica,sendo o preparo ortodôntico pré-cirúrgico adequado,necessário para minimizar os efeitos de uma instabilidade oclusal),entretanto,  os pacientes que já possuíam DTMs tem maior chance de desenvolver anquilose (Perda dos movimentos de uma articulação/Diminuição da atividade osteoclástica)da ATM após cirurgia ortognática,bem como sua disfunção, além de não ser curada, pode se agravar.

O aumento da carga devido à auto-rotação da mandíbula é um dos principais componentes na etiologia da RCP após cirurgias ortognáticas.O aumento da carga ocorre em casos com maior avanço ou quando uma rotação anti-horária do plano mandibular ocorre durante o avanço cirúrgico da mandíbula.

A FIR (Fixação interna rígida)com placas ou parafusos posicionais em osteotomias bimaxilares resulta numa incidência consideravelmente mais baixa de RCP, porém numa alta incidência de remodelação, se comparada com o uso de BMM(bloqueio maxilomandibular)

Devemos lembrar que, a dor pulpar aguda, por exemplo, pode ocasionar sintomas como dor na região da ATM e ouvido. Dessa forma, a dor orofacial em pacientes orto-cirúrgicos deve ter seu diagnóstico diferencial embasado em exames clínicos e complementares, para adequado tratamento da mesma.

Após a estabilização da reabsorção condilar , uma nova cirurgia ortognática pode ser realizada. Caso o processo não se estabilize, ou tenha nova recidiva após a segunda cirurgia ortognática, neste caso pode ser indicada a condilectomia e substituição da articulação com prótese ou enxerto costo-condral.

Sendo assim é necessário seguir a risca o protocolo que se divide em :

Pré-tratamento ortodôntico
1) Identificar os pacientes de risco: gênero feminino,
Classe II e com DTM prévia (principalmente
dor e desarranjos internos).
2) Tratar a DTM (com dispositivos estabilizadores,
Fisioterapia, Fonoterapia, Psicologia, etc.)
até eliminação da dor e restabelecimento da função,
sendo interessante uma desprogramação neuromuscular.
3) Iniciar a Ortodontia pré-operatória e durante
todo esse curso monitorar as ATM’s. Em caso de recidiva
da DTM nesse período, tratá-la novamente. A
Ortodontia pré-operatória deverá promover a melhor
estabilidade oclusal possível no pós-operatório.
4) No planejamento cirúrgico, se o caso permitir ,preferência por evitar grandes avanços mandibulares(maiores que 5mm) associados principalmente com osteotomias maxilares. Isso promove um aumento maior da carga articular e maior risco de reabsorção condilar.

Procedimento cirúrgico
1) A cirurgia ortognática deverá ser realizada
com o paciente assintomático, caso contrário a cirurgia
deverá ser adiada até a completa resolução
da DTM.
2) Deve-se minimizar (embora seja muito difícil)
o trauma articular durante a cirurgia. Atenção
especial no posicionamento condilar durante a fixação
dos cotos ósseos. Da mesma forma, devese
utilizar miniplacas e parafusos monocorticais,
por causarem menor torque condilar do que parafusos
posicionais.
Pós-operatório
1) Evitar ao máximo o bloqueio maxilo-mandibular
pós-operatório, mas caso seja necessário
devido à dor articular, utilizar por curto período
de tempo (3 a 5 dias), pois ele diminui a circulação
sinovial.
2) O pós-operatório deve permitir o retorno
precoce à função para possibilitar a remodelação
articular e adaptação da mesma à nova carga,
bem como acomodação e equilíbrio da musculatura
supra-hióidea (que tende a tracionar a mandíbula posteriormente). A fonoterapia e fisioterapia pós-operatória assumem papel de extrema importância.

3) A Ortodontia pós-operatória, ao proporcionar
o refinamento e estabilidade oclusal final, minimiza
a ocorrência da reabsorção após a cirurgia
ortognática.
4) Durante o acompanhamento pós-operatório,
caso ocorram evidências clínicas de reabsorção
(dor, limitação de abertura bucal e recuo progressivo
da mandíbula), tratar como qualquer outra
DTM, como já previamente mencionado. Nesse
momento, recomenda-se solicitar exames de
imagem como tomografias computadorizadas dos
côndilos e cintilografia óssea. Repetir esses exames
com intervalo de pelo menos 6 meses, para adequada
comparação.
5) Avaliar o grau de recidiva. Não ocorrendo
mais modificações clínicas e de imagens, ou seja,
após estabilização do processo, acompanhar o caso
por 12 meses antes de reoperar.
6) Diversos autores recomendam uma segunda
cirurgia ortognática para esses casos, seguindo
o mesmo protocolo pré, trans e pós-operatório já
descrito.
7) Em casos de recidiva da segunda cirurgia
ortognática, avaliar a necessidade de uma substituição
articular por uma prótese ou enxerto costocondral.
8) Lembrar que, mesmo que o paciente susceptível
não apresente a reabsorção condilar nos
primeiros 6 a 12 meses pós-operatórios, existem
relatos de recidiva até 5 anos após o término do
tratamento. Portanto o acompanhamento por esse
período de tempo é recomendado.
A reabsorção condilar após cirurgia ortognática
é uma patologia que deve ser tratada por uma
equipe multi e interdisciplinar. O aconselhamento
dos pacientes é de extrema importância para que
estes colaborem e estejam cientes da sua delicada
condição clínica que, a despeito de todos os cuidados
realizados, pode conduzir à recidiva da má
oclusão.
díbula posteriormente). A fonoterapia e fisioterapia
pós-operatória assumem papel de extrema
importância.

Hoje em dia sabemos que a cirurgia sendo bem conduzida, já é um garantia para que o paciente tenha vida normal pós cirúrgica.

Anúncios

Uma resposta em “RECIDIVA DA MÁ OCLUSÃO DEPOIS DE TER FEITO CIRURGIA ORTOGNÁTICA ,PODE???

  1. Boa noite. Fiz uma cirurgia ortognática em agosto de 2010 e agora preciso de outra. Meu plano está se recusando a autorizar, alegando que a responsabilidade da recidiva é minha, porque me
    afastei do tratamento ortodôntico no pós-operatório. Esse artigo será muito útil na guerra que terei que travar contra o plano. Parabéns pela clareza e simplicidade com que escreveu.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s